Hoje passei bastante tempo na Leonardo da Vinci, olhando existência de livros que possam servir suporte a um novo projeto. Lá tambem consegui finalmente a "Era dos Extremos" do Hobsbawm, que já vai na 41ª reimpressão no Brasil. Era o ultimo que tinham. 65 Reais.
Por outro lado, tinha constatado dias atrás que a prémio Nobel de Literatura deste ano, a romeno-germanica Herta Muller, tem pelo menos uma tradução em português : "O Compromisso", edição Globo de 2004. O livro foca precisamente um dos aspectos da "Era dos Extremos", ou seja as ditaduras. No caso do livro de Herta é a ditadura romena de Ceaucesco.
Em Luanda, nosso amigo Arlindo Isabel que dirige a editora Mayamba, reage ao roubo de originais de que foi alvo e retoma o processo técnico que conduzirá à publicação dos primeiros livros desta nova casa de edição.
Quanto a mim, vou relaxando em literatura com um livro em francês de Barry Eisler "Macao blues".
Foi costume de conquistadores apossarem-se de obras de arte dos países que ocuparam. De Cortez a Napoleão foi regra geral.
Roubos de quadros em galerias e museus acontece nos nossos dias com frequencia.
Ano passado ladrões na Argentina roubaram o lap top do FF Copolla com a unica versão de um roteiro de filme.
Há dois dias em Luanda, ladrões assaltaram o carro de nosso amigo Arlindo Isabel, que dirige a nova editora Mayamba, roubaram o lap top e alguns pen drives, onde estava a quase totalidade dos textos para publicação nos proximos meses.
Roger Federer ganhou o Open da Australia em masculino e Serena Williams no feminino. Tudo normal sem surpresas. No juvenil, porém, uma surpresa porque raros conheciam o vencedor, Tiago Fernandes, brasileiro de Alagoas, agora com uma carreira aberta para o topo.
No topo dos Grammies, Beyoncé, com seis prémios e destaque para "Single Ladies (put a ring on it)". Nessa foto quando cantava ontem "If I were a boy":
Médicos que participam ou participaram na ajuda humanitária no Haiti criticaram o excesso escandaloso nas amputações. Segundo eles, muitas dessas operações podiam ter sido evitadas. Como em várias situações de catastrofes com muitas vítimas, parece que a reação imediata de alguns médicos é optar pela solução de facilidade (para eles) e esquecem que uma amputação corta parte de uma vida. Lembro-me de acusações semelhantes feitas em Angola nos anos 70 e em várias guerras há sempre oposição entre médicos que querem dar tempo ao ferido e aqueles que acham que não há mais tempo. O pior é quando grupos de assistência estão mais preocupados em apresentar estatística que enriqueça seu curriculo, sem olhar todas as hipoteses de tratamento. Talvez pensem que como é trabalho gratis ninguem se pode queixar. Se fossem milionários com capacidade financeira para qualquer pagamento, sem duvida as amputações seriam decididas menos rapidamente. Para agravar tudo, surgiram as fotos de médicos portorriquenhos em grandes e etílicas comemorações em locais de assistência às vítimas do terremoto.
Onde parece que o tempo se esgota é no Gofo Pérsico. Com as negociações sobre o programa nuclear iraniano no impasse, os USA reforçaram suas unidades de misseis na àrea. O Ocidente quer aplicar sanções internacionais à Guarda Revolucionaria de Ahmanidejad, acusando-a de controlar o lado militar do programa e países àrabes proximos sentem-se ameaçados pela reforço da capacidade militar iraniana. Parte da midia norte-americana e europeia já escreveu diversas vezes que a dúvida não é se vai haver guerra, mas quando.
Terminei o excelente romance "Contornos do dia que vem vindo" de Leonora Miano, editado pela Pallas, que nos dá uma visão terrivelmente realista do cotidiano em certos países africanos. Vou voltar ao romance "Terras baixas" de Joseph O'Neill, ambientado em Nova York (estou no meio e interrompi para ler o livro da Leonora que não é meu e tenho de devolver á biblioteca).
Em não-ficção estou com o "São Paulo-fundação do universalismo" de Alain Badiou. O que me atraiu inicialmente neste livro foi ser escrito por um filosofo marxista-leninista, até considerado ortodoxo, sobre uma figura central do catolicismo. Durante a leitura apareceram elementos históricos importantes que fazem contraponto aos surtos atuais de identidades e comunitarismos excessivos. Quando acabar leio mais um capitulo do texto da "Civilização material" do Fernand Braudel.
Para não ficar só em aspectos folclorico-sensuais das tenistas, sublinho os desempenhos da Bielorussa Viktoria Azarenka que agora defronta a Serena Williams, irmã da Venus. Promete ser um jogaço. O Nadal caiu no masculino e mais adiante falarei dessa competição. Ficam duas posturas da Azarenka.
Ela é uma das favoritas no Open da Australia, mas nas ultimas horas o sucesso é seu short cor da pele. Tão perfeito que parece nem existir, embora pareça transparente. E tambem parece (até aqui pelo menos) que o exacerbado conservadorismo de autoridades do tenis mundial - que em outras ocasiões mandou corrigir roupas até menos ousadas - desta vez não disse nada.
Durante algumas horas reproduzi aqui um pequeno video do You Tube sobre o jogo em que ela exibiu o tal short, mas a Tennis Australia mandou retirar do You Tube alegando direitos de propriedade. O site do "Lance" reproduz as mesmas imagens da ESPN , mas a passagem para blog está muito complicada. Fica a foto da agencia EFE.
O seguro contra rsicos de catastrofes no Caribe (CCRIF) que agrupa 16 pequenos países da região, vai atrinbuir 8 milhões de dolares ao Haiti, que pagou 385 mil como entrada nessa entidade. É uma pequena ajuda se considerarmos que calculos de hoje sobre custos da reconstrução do país atingem 10 bi de US$. O CCRIF pagou 6,3 milhões em 2008 ás ilhas Turks & Caicos - em virtude do furacão Ike - e 1 milhão a Santa Lucia e Dominica (não confundir com Dominicana), atingidas por terremoto em 29 de novembro de 2007.
A informação é de nossos amigos da Alter Presse de Porto Príncipe, que no seu boletim de hoje publica um bonito artigo de Leslie Péan elogiando a ajuda da vizinha Republica Dominicana, desde o dia seguinte "sem paternalismo, sem fanfarra, protegendo a dignidade dos assistidos". Critérios essenciais da solidariedade, contrária a aproveitamentos políticos da desgraça dos outros para se exibir. O título desse artigo tambem é importante: "Que esta catástrofe acorde o país - Não parar de pensar".
O escritor Danni Laferriére em entrevista ao "Le Monde" deu noticias de varios escritores haitianos e estrangeiros que se encontravam no país para um encontro dos "Ettonnants Voyageurs", de que falei em postagem anterior. Todos vivos. O encontro, claro, foi cancelado. Laferriére, que ganhou recentemente um dos maiores prémios literários franceses e que tem dupla nacionalidade (Haiti, Canadá), foi evacuado para Montreal.
Sobre o tema da postagem anterior, a Globo passou hoje no "Esporte espetacular" um trabalho sobre o significado do atentado de Cabinda. Na minha opinião, melhor que o da Globo News, que passou na quinta feira. Como dei entrevistas nos dois e já dei o caminho para quem quiser ver o de quinta, aqui fica como acessar o de hoje, com meus parabens ao pessoal do "Esporte espetacular.
Abrir www.globo.com e na home page clicar em 'esporte espatacular', que fica na coluna da esquerda por baixo de esportes.
Título do video: "terrorismo na África assusta o mundo do futebol em 2010"
A Globo News passou ontem no programa Sem Fronteiras um trabalho motivado pelo atentado contra a seleção togolesa de futebol em Cabinda, com entrevistas a várias pessoas e comentários da redação (a meu ver, mal formulados em alguns pontos). Fui um dos entrevistados. Quem quiser ver na Internet o caminho é: www.globonews.com.br , quando abrir a pagina, clicar no nome do programa (Sem Fronteiras), que está na coluna da esquerda sob o título geral de "Programas".
Na televisão, o programa será repetido, neste sábado ás 14:05 e domingo ás 23:00.
Tambem dei entrevista sobre o assunto para o "Esporte espetacular" que passa domingo das 9 às 12 na Globo. Se me informarem a hora, aviso por aqui.
Nossos amigos da Alter Presse conseguiram colocar o site de novo no ar mas não sabem até quando. Não há mortos entre o pessoal mas não têm informações sobre todos os familiares. As instalações estão destruidas. No dia do terremoto, a Paulette, ultima a sair, deu uma olhada geral antes de fechar a porta e foi surpreendida pelo sismo. Estava com o filho e ambos conseguiram sair por um buraco na parede. O Beethoven tinha saido momentos antes. Esta e outras informações são do editor Gotson Pierre e estão no site
A Cruz Vermelha haitiana - das poucas coisas com algum nível de funcionamento no país - reduziu para metade a previsão de mortes assinalada pelo primeiro-ministro. Neste momento a grande função do governo haitiano é ser parceiro nas operações de socorro, nas quais já há 30 países envolvidos e 350 milhões de US$ prometidos. O espaço aéreo haitiano está saturado e os controladores de voo pedem cancelamento de voos civis. Obama falou na liderança USA neste movimento de solidariedade, o que parece inevitável pela proximidade e meios disponíveis. Mas o Brasil, se quer ser realmente potência regional, tem que ter uma forte presença proporcional ao peso de seu papel militar no país. O problema não é: "ou Angra dos Reis ou Haiti". É sim: "Angra e Haiti". Uma potência regional tem que saber enfrentar catastrofes no seu territorio e em toda a sua região.
Como sempre acontece após grandes desastres, os países vítimas reagem e transformam a desgraça em motivação reconstrutora. As cidades europeias e do Japão depois da II guuerra mundial, pontos da Ásia atingidos pelo tsunami, são exemplos. O Haiti, com apoio internacional, pode ter agora um ponto de partida para refazer Porto Principe e Petionville mais justas e habitáveis. Quem sabe se ao mesmo tempo não emerge finalmente uma classe política mais util...
Para quem se interessa pela História deste país, aconselho o livro de C.L.R. James "Os jacobinos negros- Toussaint L'Ouverture e a revolução de São Domingos" - edição Boitempo - São Paulo- 2.000.
A Internet tem mantido áreas de funcionamento e www.haitipressnetwork.com tem noticias do sismo com data de ontem. O www.alterpresse.org só até terça feira, dia do terremoto, sem lhe fazer referência. Ambos têm embaixo dos títulos a data de hoje, mas pode ser datação automatica. As principais noticias pouco antes da catastrofe incidem no Carnaval (iniciado domingo) e no encontro organizado pelos "Etonnants Voyageurs" - grupo de escritores que correm os quatro cantos do mundo - que deveria ter lugar a partir de amanhã no Teatro Rex, Instituto Francês do Haiti e nos jardins do Ministério da Cultura. Esse locais ainda estão de pé?
Agora vou tentar encontrar alguns blogueiros haitianos e ex colegas haitianos que moraram na mesma residencia estudantil em que eu morei perto de Paris.
foto montagem da BBC:Palacio Nacional antes e depois do terremoto
Comparados com o Haiti deste momento, Afeganistão, Iraque e Gaza são simples brincadeiras de mau gosto.
Há países que simplesmente não têm sorte, escreve um haitiano no New York Times. O Caribe é uma das grandes belezas da Terra, mas é de grande crueldade tambem. Humana e natural. História de piratas e de ditadores sanguinários, de pobreza e de ciclones, tempestades tropicais, terremotos.
Segundo o primeiro-ministro haitiano, Jean Max Bellerive, mais de cem mil pessoas podem ter morrido ou estão morrendo em baixo dos escombros, num país onde nem as condições basicas de existência estão asseguradas, muito menos condições tecnologicas para busca e salvamento. O pior terremoto na área em dois séculos e uma crise humanitária de dimensão mundial, que só pode ter resposta (mais ou menos) eficaz se for produzida à escala mundial.
efeitos numa das zonas mais pobres de Porto Príncipe
O numero de mortos no ataque terrorista à seleção do Togo passou para três, com o falecimento do tecnico adjunto e do adido de imprensa, que não resistiram aos ferimentos. Um dos jogadores feridos, Obilale, está em estado grave e foi evacuado para uma clinica de Joanesburgo, onde vão fazer testes para ver se perdeu movimentos nas pernas.
Pergunta até aqui sem resposta: quem decidiu que a seleção togolesa iria viajar por terra e não de avião, como era recomendação geral?
Durante a tarde dizia-se que os togoleses abandonavam a CAN 2010, o que deixaria o grupo B com 3 equipes apenas, já que não havia tempo para "repescar" Marrocos (que se classificou a seguir ao Togo). Essas noticias falavam de decisão dos jogadores, mas tambem surgiram indicações de que o governo teria mandado a equipe regressar a Lomé. No começo da madrugada, porem, um jogador togolês era citado como tendo dito que sua seleção iria jogar e dessa forma homenagear as vítimas do atentado.
Certeza mesmo só na segunda feira, para quando está marcado o jogo entre dois vizinhos: Togo-Ghana, em Cabinda.
O acontecimento recebe grande acompanhamento na midia mundial e, na net destaco globo.com, lequipe.fr e marca.com
Neste ultimo - site espanhol - um leitor deixou o seguinte comentário: O ataque foi produzido por um grupo independentista angolano como a ETA en Espanha, já que são ambos da mesma ideologia, o medo como filosofia.