They dont care about us
Como viajo muito, é interessante ter modem móvel banda larga. Tenho um da Claro. É mais lento que os serviços fixos, mas pela razão mencionada aceito essa lentidão. Porém, o que é inaceitável é a ausência de assistência técnica com um mínimo de competência e respeito pelo cliente. Ontem pela manhã notei que não tinha serviço. Esperei o dia todo e no final da tarde comecei as tentativas de falar com a Claro pelo 1052. Após longas esperas e de ter sido obrigado a desligar várias vezes por ausência de resposta, consegui falar com um atendente que fez uma reconfiguração, dizendo que em 4 horas estaria restabelecido o serviço. Não esteve. Tambem falei com a Claro pelo online e disseram reenviavam o sinal para o modem e que em 4 horas estaria tudo Ok. Não esteve. Esta manhã tentei de novo o 1052. Passaram de uns para os outros e no fim ninguem mais atendeu. A lei do um minuto para atendimento ao cliente não existe na prática. Para que existisse o orgão regulador teria que fiscalizar. Voltei ao serviço online, onde me passaram uma enorme lista de coisas a fazer, impossivel de memorizar. Como desligaram a resposta online, as recomendações sumiram. Mas insistiram muito que as seguisse e fizesse a reprogramação. Aí não fiz nada e pelas 13 horas religuei o modem á toa. O serviço voltou. Conclusão minha: não havia nenhum problema com o modem, sendo muito mais provavel que o serviço estivesse com deficiências nesta área. O atendente que me falou ontem disse que ia verificar mas não me confirmou essa hipotese. Hoje, no online nunca responderam a essa pergunta. Provavelmente nem sabiam se havia alguma insuficiência desse tipo ou preferiram não assumir descontinuidades no serviço. A qualquer momento isso pode reaparecer! Mesmo no telefone, com frequência o 3G desaparece. Se o meu pagamento não for feito por uns tempos, o que acontecerá? E os atrasos provocados no meu trabalho, quem cobre? Aproveito o momento para dizer que a música do M.Jackson de que mais gosto é a do título desta postagem . "Eles não querem nem saber de nós". E nós em relação a eles? Vale apena mudar de operadora ou são todas iguais?
Escrito por Jonuel Gonçalves às 15h03
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Tudo com cara de dúvida

Não é o velho debate filosófico da dúvida sistemática. É dúvida sobre acontecimentos e perspectivas. E tem gente - milhões - com mais interrogações no rosto que a colega aí na foto. Sobre a reunião da União Africana, em curso na Libia, é o habitual silêncio oficial sobre o que se diz na sala, apesar daquilo que se diz nessas salas ter efeito social imediato, mesmo quando não se faz nada (ou talvez sobretudo quando não se faz nada). Sabemos que o tema deste ano é agricultura, setor crucial para a vida da larga maioria. Alem disso devem ser nomeados os membros da comissão dos direitos do Homem e dos Povos, entidade que deveria desempenhar um papel de primeiro plano na proteção dos individuos e sociedades. Tambem falam dos conflitos, em geral provocados por deficit de alimentação e direitos. Sobre as Honduras, dúvidas sobre o que vão fazer os dois lados na crise : os golpistas e o presidente golpeado. Ambos falam em prazo de 72 horas. Nas quedas dos Airbus (um novo e um ferro velho) nada de concreto sobre causas. Pelo menos na queda perto das Comores salvou-se Bahia Bakari, de 12 anos. Nem ela sabe como. E a crise mundial está para durar, está em redução, vão dizer que acabou sem ter acabado ou vão prolongá-la artificialmente? Algumas respostas no livro "Crash- Why it happenned and what to do about it" organizado por Edward Fullbrook, com textos de vários autores, tipo Ian Fletcher, Donald MacKenzie, James Galbraith e até o Soros. Quem lê inglês pode baixar no site www.paecon.net/CRASH-1.pdf ou mandem email que eu envio o texto (recebi dos colegas da "Real-world economics review").
Escrito por Jonuel Gonçalves às 16h07
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Constatações banais
Hoje na Futura falei do golpe militar nas Honduras. Na LAC falamos das dívidas de vários países africanos à prórpia União Africana. Na RDP África fiz foco em mais um acidente aéreo, desta vez de empresa iemenita perto das Comores que matou cerca de 150 pessoas. Estes três comentários dão a atualidade do dia, alem da morte de Michael Jackson da qual não falo. Constato. Tambem constato que a cidade de Buenos Aires está em estado de emergência sanitária, em virtude da gripe A. Por isso adiei minha viagem prevista para esta quinta-feira. Constato ainda que a crise financeira - ou ela como pretexto - torna a edição de livros ainda mais bloqueada. Dos trabalhos que tenho para publicar só o relativo à crise de 1929 em livro coletivo está assegurado. Duas constatações que não surpreendem mas que são confirmadas por pesquisas: - em Paris, o "Liberation" cita que os negros são 11,5 vezes mais inquirdos pela policia nas ruas que os brancos; - no Brasil, o IPEA publica relatório afirmando que a população de baixa renda trabalha duas vezes mais que a de renda alta para pagar impostos.
Escrito por Jonuel Gonçalves às 20h11
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Prossegue a guerra pela liberdade na Internet
Um artigo do interessante site Slate (www.slate.com) assinala aspectos importantes da liberdade na Internet a propósito dos protestos consecutivos às eleições iranianas e o relativo silêncio que se verifica agora. Até há pouco sublinhou-se em diversos orgãos de midia que os blogs iranianos e espaços no Twitter ajudaram a divulgação mundial dos acontecimentos e mobilizaram muita gente para manifestações de rua. Neste blog tambem escrevemos a propósito disso, mas é importante ter em conta tambem o fator repressão, usado como sustentáculo pelos regimes autoritários ou totalitários, de todos os continentes. Citando o "Wall Street Journal", o artigo referido afirma que o regime iraniano dispõe de um ultra-sofisticado sistema de vigilência sobre a Internet, podendo localizar a origem de emails, blogs, imagens, etc. Parte desse sistema foi montado pela Nokia e Siemens, diz o jornal e, alem de localizar as origens (quer dizer, os IP's dos computadores) pode apagar mensagens, retirar imagens, inutilizar sites e fazer guerra psicologica com material falso. Como na luta entre virus e anti-virus, ativistas ("hacktivistas" como já são conhecidos) de todo o mundo estão empenhados em encontrar meios de despistar os repressores. Duas prioridades nesta busca: impedi-los de localisar os IP que identificam os computadores e montar dispositivos que impeçam a intrusão. Um software criado por engenheiros chineses defensores da liberdade de expressão ( as autoridades chinesas têm equipamento de vigilancia idêntico ao de suas congéneres iranianas), denominado Freegate (Porta Livre), permite alterar o IP quase cada segundo, tornando impossivel a perseguição. Tambem elimina todo traço de emails mandados de um computador. Uma variante do Freegate é o Ultrasurfer e estão ambos disponiveis no Project Tor da Universidade de Toronto, outro importante centro de pesquisa pela liberdade na rede. O governo chinês anunciou que os computadores em venda a partir do proximo mês terão obrigatoriamente um filtro para softwares de Internet, designado como Barragem Verde. Para neutralizá-lo o pessoal do Freegate já criou o Tsunami Verde. 
Escrito por Jonuel Gonçalves às 23h46
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novo romance
Para quem estuda ou lê literatura africana de língua portuguesa, aconselho o novo romance do escritor angolano FBaião: "Kimalanga". Fernando Baião vai muitas vezes a São Paulo e numa dessas vale a pena organizar um papo com ele. Sobre como obter o livro, o melhor é perguntar ao autor: fbaiao @netcabo.pt
Escrito por Jonuel Gonçalves às 19h59
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'Política pirata' de 21 anos defende liberdade de downloads
Por Rodrigo Martins São Paulo, (AE) - Ela tem apenas 21 anos e está com um pé no Parlamento Europeu, o que a fará contrastar com os políticos mais velhos que costumam se eleger para a casa. Além de ser a mais nova da turma, irá mais ainda na contramão: ao contrário da atual política de se defender os direitos autorais, até com leis restritivas, pregará que é necessário liberar o download e que a bilionária indústria de entretenimento deve se virar para achar uma forma de continuar a lucrar. Amelia Andersdotter fez parte de um fato inédito na Suécia (e no mundo). Pela primeira vez, há duas semanas, após quase se eleger para o congresso do país, o Partido Pirata - do qual é integrante - ganhará espaço no Parlamento Europeu, um congresso para legislar sobre assuntos comuns da Europa. Com 7,1% dos votos suecos, o partido, que defende o download livre, já tem garantida uma vaga. Mas pode levar outra se uma lei que amplia o número de parlamentares for ratificada. Até agora, 26 dos 27 países do bloco já a aprovaram. Só falta a Irlanda, que deve votar o tema em outubro. É aí que entra Amelia. 
Ela, a segunda mais votada entre os candidatos do Partido Pirata, só depende disso para entrar no Parlamento. "Estou confiante de que, em seis meses, estarei no Parlamento", disse. Amelia sabe que sua voz será dissonante. "Sei que será difícil. Mas é preciso uma nova geração. Hoje, o Parlamento é um local onde, basicamente, os políticos vão quando se aposentam. É necessário uma voz radical contra toda essa política de restrições de hoje, como cortar a rede de quem baixa." Para entender como uma garota de 21 anos chegou a tal posição, voltemos a 2006. Amelia, uma universitária de economia, simpatizou-se com a causa política e entrou para o Partido Pirata, que, naquele ano, quase elegia um representante no congresso sueco. Em 2007, começa a trabalhar com questões internacionais. Daí começa a se destacar. Em 2008, com 20 anos, torna-se a coordenadora internacional do partido, responsável por contatos com sementes de partidos piratas ao redor do mundo. Para essa tarefa, ela até aprendeu a falar espanhol. Com o destaque, foi indicada para a eleição ao Parlamento Europeu. Era a segunda candidata mais nova na Europa toda. Acredite, a outra, que também concorria pelo Partido Pirata, tinha 18 anos. A campanha de Amelia baseou-se, como esperado, na web. Ela criou site e blog (www.ameliatillbryssel.se) e publicou vídeos no YouTube. Também escreveu artigos para jornais e participou de debates na TV. A plataforma de Amelia ganhou apelo. Num momento em que o número de defensores do download livre aumenta na mesma proporção em que surgem leis restritivas, os eleitores, principalmente os mais novos, abraçaram as ideias dela e do partido. "Não somos contra todo o tipo de direito autoral, mas queremos um direito mais equilibrado", afirma. Segundo Amelia, ela e o Partido Pirata propõem "mudanças radicais". "Todos os usos não-comerciais de músicas e filmes seriam liberados. Se você baixar algo para si próprio e não for revender, tudo bem", diz. "Também defendemos que toda a obra possua direito de proteção por apenas cinco anos. Depois, cairia em domínio público." Hoje, dependendo do país, para uma obra estar em domínio público, é preciso até passar 50 anos da morte do autor. Mas já há países tentando estender o prazo. E a indústria como iria lucrar? Com a pergunta, Amelia muda o tom de voz e se mostra irritada. "A pergunta é injusta, sou só uma estudante de 21 anos. As majors, que ganham bilhões, é que deveriam pensar nisso", diz. "Mas se querem sugestões, podem lucrar com shows, merchandising, licenciamento de músicas..." É esse o barulho que Amelia quer fazer no Parlamento. Aliás, ela já promete entrar em outras áreas também. "Vou defender também a popularização das telecomunicações. Há várias questões. Quero abrir uma janela no Parlamento para que mais pessoas como eu possam entrar lá."
Escrito por Jonuel Gonçalves às 12h12
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LOCO É POCO
Gostei dessa frase que estava num cartaz de torcedores brasileiros na Copa das Confederações, a decorrer na África do Sul. LOCURAS dessa Copa: - europeus (inclusive um jogador espanhol) chateados com o barulho das vuvuzelas (quem quer silêncio tem por lá muiiitas igrejas e mato desabitado e quem está com dor de cabeça compre aspirina made in South Africa, que atua rapidinho); - classificação dos Estados Unidos, que estavam em ultimo e precisavam de milagrosa conjugação de resultados. Conseguiram em virtude da pessima exibição dos egípcios, o que pode ter ligação com o roubo de dolares no hotel, de que falei na postagem anterior. Um jornal sul-africano diz que a polícia suspeita de cinco prostitutas que teriam estado nos quartos com gente da delegação. Se for verdade, onde vai ser loco é poco é no Cairo. Por mim eliminei hoje uma de minhas LOCURAS anuais quando faço meu check up de saude: os resultados de laboratorio estão beleza. LOCURA que permanece: tenho viagem marcada para Buenos Aires e a gripe A por lá ultrapassou os mil casos. Tatuagem LOCA (acho que é Angelina Joli): 
Escrito por Jonuel Gonçalves às 18h21
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Roubaram o Egito
Roubaram sim e muito. Mas não foi no estádio onde os faraós venceram a Itália por 1a0. Foi no hotel. É muito chato ter uma alegria daquelas e voltar ao hotel para sentir redução no Quanto? Os jornais da cadeia sul-africana IOL dizem que são alguns milhares e a Sport TV falou de 2.400. A delegação apresentou queixa á policia que (quem conhece essa instituição na Africa do Sul já sabe) vai começar por investigar na propria delegação junto com os empregados do hotel (da conceituada rede Protea ). Há cerca de 10 anos, quando eu morava em Cape Town, regressei de uma viagem e tinha o apartamento roubado (lap top, descodificador de tv e coisas que já esqueci). Dá um odio mortal. Imagino a cara do Zidan, Hosni e companheiros...ocorrências deste calibre não ajudam o prestigio do país um ano antes da super competição, sobretudo se somarmos a isso um relatorio publicado esta semana em Joanesburgo, onde se diz que cerca de 25% dos homens sul-africanos confirmam ter cometido algum tipo de violência sexual. A seleção do Brasil foi ao "parque dos Leões" perto de Tshwane/Pretoria. Tiraram fotos com a bicharada e disseram que estavam emocionados com o ambiente. Apesar de meus seis anos lá, nunca fui a um parque natural, nem ao Krueger, que na sua matéria é o mais famoso do mundo. Tambem morei 3 anos em Paris e nunca subi na Torre Eiffel. Nem em Angola tenho visto muitos animais na natureza. Alem da passarada de todos os tamanhos e cores, só umas cobras, umas gazelas e cães selvagens. Mas um dia, perto da Lucira (provincia do Namibe) vi o que muito pouca gente viu em terras angolanas: um camelo. Andava sozinho, perdido e com medo. Sem duvida descendente dos camelos importados no começo do seculo XX pelo exército português para transporte no deserto do Namibe. Se ainda está vivo deve sentir-se muito minoritario, coitado. Anos antes, na Mauritania, os camelos eram minha companhia visual diaria. Anos depois, no Cairo, voltei a ver os simpaticos dromedários nas Piramides de Gizé, onde a polícia usa camelos para patrulhar.
mais fotos da viagem ao Egito na postagem de 13.02.2006
Escrito por Jonuel Gonçalves às 18h27
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Solidariedade Blogueira

A cena politica e social iraniana é dominada pelas grandes manifestações de protesto da oposição reformista após atribuição de vitoria eleitoral ao conservador Ahmadinejad pelo Conselho dos Guardas da Constituição. As manifestações bem como a campanha eleitoral do ex primeiro ministro Mir Moussavi revelam uma formidavel vontade de mudança democratica. A Internet em geral e o movimento blogueiro em especial são instrumentos capitais do que já é a maior vaga de protestos em 30 anos. Segundo dados mencionados pelo "Liberation" de Paris, dos 72 milhões de iranianos, 21 milhões têm acesso á Net e o país seria o terceiro maior do mundo em blogs, de todos os tipos, num total de cerca de 700.000, segundo outras fontes. A pagina de Moussavi no Facebook tem 40.000 amigos. Se os acontecimentos se radicalizam, o poder pode limitar a liberdade dos blogs como já tenta fazer com as manifestações de rua. O provedor Blogfa é o o mais importante do país, havendo no Google links de muitos desses blogs. 
fotos "Le Monde" e "Liberation"
Escrito por Jonuel Gonçalves às 00h57
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Sempre desconfiei dessa vacina contra gripe. Mas com as ameaças da suína e minha rotina de resfriados ou gripes sempre que as temperaturas ficam frias, este ano arrisquei e vacinei-me. Resultado: nos três dias seguintes tive varios sintomas de coriza, mas tinham dito que é normal; mais de um mês depois senti novos sintomas e desde quinta ou sexta pioraram até que ontem á noite e esta manhã taaí um bom resfriado. Boa vacina, né? Quer dizer que a fraca capacidade preventiva não é apenas característica da economia, onde as crises aparecem de repente e ficam até cansar. Na medicina tambem há faixas de saude onde o acaso, a sorte ou algo que desconhecemos, são decisivos. Nos ultimos dias, a informação economica mundial revela os mesmos dados contraditorios presentes desde o ultimo trimestre de 2008. Os bancos centrais ficam menos paranoicos com a inflação e falam incessantemente de estímulo, cortando nas taxas de juros. Pela primeira vez em decadas essa taxa no Brasil vem para um digito. Na África do Sul até os sindicatos manifestam contra taxas elevadas. A Nova Zelandia acredita que já existe recuperação suficiente para não subir nem baixar na matéria. A nível macro o G8 dá mostras de ir no mesmo sentido e isso pode incitar o grupo a retomar o primeiro plano da cena mundial, subalternizando o G20. O desemprego nos USA foi de 9,5% no passado mês e a CEPAL diz que a crise é responsavel pela perda de um milhão de empregos na América Latina. O dolar tem andado em recuo o que em parte explica que o petroleo ultrapasse a linha dos 70 por barril. Mesmo assim, os países produtores assinalam diminuição nos ritmos de crescimento e até medidas restritivas em alguns pontos. Há faixas da política onde o imponderável decorre do comportamento dos grandes centros de decisão. Por exemplo, as eleições iranianas demonstraram um nível de liberdade de expressão acima do que se acreditava, mas o resultado final parece esconder metodos pouco democraticos. Os reformistas iranianos dizem que houve fraude e têm vindo para a rua protestar com um vigor que tambem surpreendeu muita gente. E agora? Têm capacidade para resistir à repressão que já prendeu algumas dezenas de lideres do protesto? Tradição de resistência e vontade de mudança marcam varios periodos da história iraniana ou da sua antecessora persa...   
Começou a Copa das Confederações, sobre cujas prévias tenho tido um interessante dialogo com meus amigos Zé Cunha e Gusmão. O nivel do primeiro jogo África do Sul-Iraque foi fraquinho mas com este resfriado nem sou muito exigente. Só quero é algo para distrair. Esta tarde vou ter mais futebol. Nas leituras vou nomadizando entre dois romances - "O cavaleiro de Saint Hermine" de A. Dumas e "A Esperança" de A. Malraux - e o capítulo sobre o pensamento de pesquisadores africanos que estiveram ligados ao CODESRIA (quando eu tambem tinha tal ligação) num polemico livro do Jean Loup Amstell.
Escrito por Jonuel Gonçalves às 14h42
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A sustentável leveza da curiosidade
Grande e legitima curiosidade de qualquer pessoa, viajante ou não, é saber o que provocou o horrivel acidente com o voo da Air France Rio-Paris. O problema com os sensores pesou no caso? Porque estariam os desse avião desatualizados se, desde 2007 o fabricante pedia sua substituição, conforme acaba de dizer o presidente da TAM? É tão sério que os pilotos da AF ameaçam com greve se a substituição não for feita já. Nas eleições europeias a direita aumentou seu poder e a questão é se vai acentuar a xenofobia por lá, mas por outro lado nas eleições do Libano as forças democraticas ganharam, levantando a interrogação sobre a linha que vão adotar seus adversários, proximos dos governos sirio e iraniano. Duvida ainda maior se o governo de direita de Israel vai aceitar - e em que condições - as propostas norte-americanas sobre a criação do Estado Palestino. É que se Obama não consegue tal aceitação, como vai convencer o mundo de que consegue resolver a crise financeira mundial, a redução dos riscos nucleares iranianos e norte-coreanos ou o respeito pelos direitos humanos seja com quem for? Bem...há curiosidades que dependem de muitos imponderáveis, como saber quem vai ganhar nos jogos de quarta feira e , em função disso, quem vai a Àfrica do Sul 2010. Há tambem gente curiosa sobre outras paisagens que, quer sejam novas ou semi-novas, mostram sempre panoramas de insustentável leveza, como diria o Kundera. 
Foto de site semi-erotico. Não lembro qual. Insustentavel peso de minha memoria.
Escrito por Jonuel Gonçalves às 16h15
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Arménio ganha Camões 2009
O escritor Arménio Vieira, nascido em 1941 na Cidade da Praia, ilha de Santiago, Cabo Verde, ganhou o prémio Camões deste ano. É considerado o principal prémio literário de lingua portguesa e foi instituído em 1988 pelos governos do Brasil e Portugal. As obras mais recentes de Arménio são "Eleito do Sol", "No Inferno" e "MITOgrafias". É a primeira vez que o prémio é atribuido a um escritor de Cabo Verde, país que tem grande tradição literária e onde largos setores políticos, sociais e culturais têm revelado grande empenho na afirmação de dialogo cultural e rejeição do racismo. 
Escrito por Jonuel Gonçalves às 17h01
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Viajar de avião
Andarilho desde criança, não concebo a vida sem viagem. Muitas viagens. O exilio e o trabalho como pesquisador em desenvolvimento internacional, reforçaram este estilo de vida. Mas do que gosto mesmo é viagem por terra, parando onde quiser e sentindo que a vigem está nas minhas mãos. Porem, longas distancias com compromissos de horarios não permitem isto e tenho que andar de avião, sempre apreensivo, principalmente quando ocorrem turbulências ou quando tenho que fazer horas sobre o oceano, quando a companhia aerea não me inspira confiança ou quando tenho o mesmo sentimento em relação aos aeroportos de partida e chegada. Procuro dar desconto, dizendo-me que é ansiedade decorrente dos muitos combates da vida e vou indo. Mas, enquanto de carro gosto do trajeto, de avião gosto de chegar. Desta forma, acompanho com interesse informativo qualquer noticia sobre acidentes aéreos. Fica-se sempre na duvida e só se pode dizer que - em qualquer circunstância, data ou local - o dia de amanhã é um mistério. O que dá emoção à vida, mas podia ser um pouco menos para que fosse possivel prever um pouco mais. Todos seriamos menos ansiosos. Sobre o acidente de ontem do voo AF 447 Rio-Paris, meu interesse foi maior, porque já fiz essa rota varias vezes, já fiz inumeras viagens na Air France e vou atravessar o equador muitas vezes mais. Parece que os especialistas acham insuficiente a explicação que culpa a meteorologia, por muito severa que fosse naquele preciso momento (meia hora antes outro avião passou por lá sem problema). Li no "Le Monde" online um debate sobre se o avião é mais ou menos seguro que o carro, com base em estatísticas, mas não há acordo sobre o metodo de calculo. Fazer a relação vitimas/numero de viagens ou vitimas/passageiro-km? Alguem opinou que o risco do avião seria maior porque se luta contra a gravidade. Duvido que contrariar a gravidade com técnica avançada, seja mais perigoso que andar numa estrada movimentada cercado de condutores irresponsaveis ou alcoolizados... Em numero absolutos é citado nesse debate um dado sobre o ano passado (ou 2007, não lembro bem) referindo, cerca de 2,3 bi de passageiros e um pouco mais de 500 mortes. Tambem é assinalado que há enormes diferenças entre companhias aéreas. Por exemplo, referem que a Tunis Air nunca teve acidentes e a Cubana de Aviacion teve acima da média mundial. E um dos intervenientes (francês) sublinhou com exemplos que a Air France é, no espaço europeu, uma das que teve mais, inclusive dois recentes e com centenas de mortes. Alem deste, o do Concorde. Eu podia acrecentar um desabamento de teto numa das aerogares do aeroporto Roissy, tambem há pouco tempo. Nada disto vai conter meu nomadismo. Já passei por coisas na vida que me fizeram dizer "se sair inteiro desta, nada mais me assusta". Assusta sim, mas continuo.
Escrito por Jonuel Gonçalves às 21h53
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Minha ida e volta meteorica a Salvador decorreu bem do ponto de vista formal universitário, mas mais uma vez deixou-me perplexo perante certos niveis de negligencia e com algumas duvidas sobre o trabalho em si. Por hoje não vou explicar mais, foi só um desabafo, apenas escrevi para mim próprio. Talvez volte a esses assuntos de forma mais entendível, se surgirem novos elementos. Aliás, há dois ou três dias somam-se á minha volta fatores prejudiciais, decorrencia de inevitavelmente dependermos de outros no desenrolar de nossas vidas, sendo que grande parte desses outros não têm respeito nenhum pelas outras vidas. É isso que torna a vida um alerta constante, como se fosse guerra. Como se fosse? Lembro uma frase de James Baldwin que meti no "Café Gelado": "tudo se passa como se tivesse nascido com uma granada na mão, arriscando-me a explodir se não aprendesse a manejá-la". No avião continuei a leitura de "Chuva sobre Havana" de Julio Travieso Serrano. Que guerra diária, roedora, erosiva. Tenho certeza que este é um dos livros que vou ler até ao fim. De regresso passei na Leonardo da Vinci , onde tinha deixado uma encomenda de dois livros e um deles - "Racial Culture" de Richard T. Ford - chegou. Agora dei um giro por alguns blogs e parei no do escritor congolês baseado em Los Angeles, Alain Mabanckou (infelizmente ainda não traduzido em português) e deixei mais um pequeno comentário no debate que ele lançou sobre se existe ou não "pensamento negro". Na semana passada tinha metido lá uma postagem para afirmar aquela banalidade: não há nem pensamento negro nem branco. O pensamento não tem cor, nem o dos racistas. Mas há quem defenda o contrário, em nome de supremacias, autenticidades, especificidades, purezas e outras merdas do mesmo quilate. Tive o prazer de ler uma postagem de D.O.W. apoiando minha afirmação e acrescentando argumentos dele próprio no mesmo sentido. Nesse tema continuamos como sempre, sem fazer concessões e continuamos a acreditar no Obama que, chateado com o rigor da Casa Branca foi hoje ao "Five Guys" comer hamburger com fritas. Pode ter sido sugestão da esposa, que tinha lá estado semanas atrás.
Escrito por Jonuel Gonçalves às 21h44
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SALIM MIGUEL
Meu amigo Salim - que vai receber em 23/07 o prémio Machado de Assis da ABL - mandou-me de Floripa o seu "Minhas Memórias de Escritores", editado pela Unisul em Tubarão. É um conjunto de artigos, entrevistas, anotações e cronicas que, tudo somado, dá um excelente trabalho de história literaria brasileira e pontos de vistas brasileiros sobre escritores de outros cantos do mundo. Bem no perfil de Salim. Ainda não li tudo mas o que já li estimula a que leia mais. Excelentes as "anotações" ( a expressão é dele na dedicatória do exemplar que me eviou) sobre Maura, Zé Lins, Carpeaux, Drummond, Agostinho da Silva e vou prosseguir a leitura de outros. "Anotações" que várias vezes significam encontros e mencionam os 100 livros que mais marcaram vários dos entrevistados. A edição tambem está bonita. Gostei do formato e da configuração do miolo. Ultimamente tenho prestado muita atenção à estética dos livros.
Escrito por Jonuel Gonçalves às 11h59
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