Injusto. Ou seja: economia é diabólica sim, mas diabrura com estupidez é coisa de capitalista voraz e psicopata. Dois exemplos que rolam no momento:
O JP Morgan, maior banco USA de investimento e beneficiario de grande apoio pelo governo federal no pior da crise do sub-prime em 2008, assinala agora perdas de 2 bi de dolares em operações de credito muito arriscadas. A responsavel pelo setor no Morgan, Ina Drew, é considerada uma "risk lover" e avançou em operações sem as garantias racionais. Perdeu. Este gosto pela aventura financeira ultrapassa a validade do risco calculado. É falta de responsabilidade ou doença mental provocada pelo atalhos do dinheiro. Gente perigosa. O banco sofre com isso uma quebra monumental no seu valor de mercado e não admira se demitir alguns funcionarios para "reduzir custos". Quanto à economia norte-americana, dispensava largamente coisas deste gabarito neste momento. Ina é uma das 20 mulheres mais bem pagas do mundo (acima de 15 milhões de dolares por ano, pelo menos nos dois úlitimos) E no Morgan há quem ganhe 23 milhões. Esta semana reune a assembleia de acionistas e ela vai ser provavelmente demitida antes. A midia USA e mundial aproveita para comentários ironicos ou indignados e não sei se a liderança do banco vai aguentar a pressão.
O setor hoteleiro do Rio de Janeiro, perante a realização no próximo mês da Conferência da ONU sobre Desenvolvimento Sustentavel, vulgo "Rio+10", esfregou as mãos e decidiu subir na brutalidade os valores das diárias e só aceitaria reservas fechadas para sete dias. Quem quisesse ficar menos até podia, mas pagava sempre os 7. Aí a Câmara dos Deputados em Brasilia e o Parlamento europeu em Strasburgo, avisaram que nem iriam à Conferência, dados os custos de hospedagem. O Itamaraty se assustou e convocou a associação dos hoteleiros. Não sei o que lhes disse e em que termos, mas os hoteis abandonaram as duas ideias de jerico.
Nos dois casos, em cima de diabolicos de visão curta, uma pressãosinha sempre resultou.
relembrando debate sobre "Relato de Guerra" na USP
foto da Claudia Martins com celular, no momento em que a Professora Rita Chaves apresentava o livro. Como diz Claudia: "não está muita boa mas é um registro". Valeu.
Agora vou dormir após ter trabalhado a noite toda num texto multidisciplinar sobre Senegal. Na sessão das 18.30 às 20.45 vi o "Battleship". Razoavel, vale a pena ver.
Há um filme cujo título nunca esqueço (nem o do romance inspirador) : "A namorada do pirata". Horas atrás foi eleito François Hollande, Presidente da França, resultado que me deixou feliz, porque acredito na capacidade dele em reduzir a xenofobia, o racismo e a crise de modo geral, ao mesmo tempo que renovará o socialismo, como forma de melhorar o relacionamento dentro da especie humana. Outro que pode conduzir pelos mesmos caminhos, embora não seja socialista, é Obama cuja eleição é mais para final do ano.
Qualquer deles era visto como pouco provavel poucos meses antes de serem eleitos, ou seja , de certa forma entraram pela janela, meio à pirata. Claro que adoro isso.
Do Hollande fiquei sabendo que namorou a Segolene Royal, candidata socialista contra Sarkozy, quando este ganhou em 2007. Pouco antes da eleição acabaram com essa história e deixamos de dar importancia ao assunto, até porque não se pensava que o candidato do PS seria ele. Hoje, no entanto, o mundo todo ficou sabendo o que jornais da fofoca parisiense afinal já mencionavam desde 2006. O atual Presidente apareceu no primeiro comicio pós eleitoral, em Tulle, sua cidade na Corréze, com Valerie Trierweiller, apresentada pela TV francesa como sua "companheira". Digamos namorada, é muito mais bonito.
Ela é jornalista do semanário "Paris Match", tem um programa cultural na "Direct 8" e anda chateada pra valer com seu semanario que usa fotos suas e a transforma em manchete. Como é twiteira meteu a raiva por lá. Parece que não quer ir morar no Palacio do Elisée, porque tem 3 filhos e eles não são de morar em palácios. E quer continuar a trabalhar na midia.
Sobre o Obama, seu mais recente biografo localisou uma antiga namorada (Genevieve Cook) do tempo de faculdade. Deixo a foto deles nessa fase (tirada de um blog) hoje as caras de ambos estão muito mudadas. Foi uma relação curta e teria acabado quando ela disse "I love you" e ele respondeu "thank you". É de acabar mesmo! Pois é... os piratas têm destas coisas e as namoradas o direito de se defenderam. Tem até as que não estão nada a fim de morar em palácios.
Lagoa da Pampulha e Mineirão ao fundo. Trabalhei até agora num projeto de pesquisa e, claro, não estou com pik para postar texto. Então atualizo com essa foto.
O video sucesso de You Tube sobre Joseph Kony, realizado pelo "Invisible Children" dá resultados na prática. Há fortes suspeitas de que esse criminoso ugandês, lider do grupo fundamenatlista cristão, batisado como Exército da Resistência do Senhor (LRA), estará numa floresta da Republica Centrafricana. Tropas deste país e do Uganda lançaram uma grande operação de captura e o New York Times informa que uma centena de soldados de elite do exército norte-americano participam na operação, com apoio de meios tecnologicos importantes, incluindo satélites de observação.
Seja qual for a opinião sobre os realizadores desse video, ele ajudou num ponto capital: a criminalização de setores da política africana - nuns casos de governos em outros de oposição - é cada vez mais conhecida e tem cada vez menos chances de ficar impune. Ajudou o trabalho persistente e de longa data movido por movimentos de direitos humanos.
Isto ocorre, quando o ex Presidente liberiano Charles Taylor, senhor da guerra e aproveitador de diamantes de sangue é condenado pelo Tribunal Penal Internacional. No mesmo TPI é julgado o chefe de guerra congolês Pierre Bemba, por crimes cometidos na Republica Centrafricana. Chefes de milicias tribalistas do leste do Congo aguardam julgamento ou são procurados.
Crimes contra a humanidade, independentemente do continente onde são cometidos ou da cor de seus autores, não podem continuar encobertos por teorias de relativismo cultural ou de diferencialismo.
Excelentes duas horas de debate sobre o "Relato de Guerra Extrema" numa turma de Relações Internacionais da PUC-Rio esta manhã. Acabei falando mais de uma hora, mas ficou margem para varias perguntas, tanto do Professor Alexandre Santos como dos/as alunos/as. Uma aluna - para respeitar direitos de autor,aqui fica o nome: Gabrieli - considerou que a ausênca de nome do país desaparecido no "Relato" é consequencia de minhas desconfianças sobre o conceito de identidade. Ela tem razão e eu nunca tinha pensado nessse aspecto de sub-consciente. Não é a primeira vez que um leitor ou critico descobrem detalhes de que nem o autor tinha consciência.
Abri o "Le Monde" para ler noticias sobre as eleições francesas e vi chamada para trabalho recente do INSERM (iniciais em francês de Instituto Nacional de Saúde e Pesquisa Médica) sobre a evolução cognitiva do ser humano ao longo da vida. Declinio a partir dos 45 anos, em termos gerais, mas com detalhes importantes, sublinhados pelo jornal em virtude de existirem 880.000 franceses diagnosticados com Alzheimer. A respectiva percentagem - a França tinha no começo deste ano cerca de 65 milhões de habitantes - pode ser semelhante em todo o mundo.
A proposito, o psiquiatra Olivier de Ladoucette, disse em entrevista a Laure Belot do "Monde" que há varias inteligencias e seu envelhecimento é variavel. A "fluida", baseada na rapidez declina a partir dos 25 anos e é muito util em matematica ou mercado financeiro. A "cristalisada", assente no aprendizado e experiência cai muito mais devagar e ele exemplifica com Picasso, Chagal, Verdi ou Michelangelo que produziram obras-primas com 70 e 80 anos. O relacionamento humano é decisivo para manter essas faculdades, ao vivo ou via imagens (internet é, portanto, util na matéria) viagens e confronto com pessoas de outras gerações.
Ponto importante nas declarações do psiquiatra: o cerebro e o sexo terão desempenhos tanto melhores e prolongados quanto mais forem usados.
imagem de "A Estrada", filme de John Hillcoat baseado em romance de Cormac Mc Carthy
O rei Juan Carlos de Espanha saiu às pressas do Botswana porque quebrou uma perna ( ou quadril, não sei bem). Graças a isso tomamos conhecimento que ele, presidente de honra do ramo espanhol da WWF (fundação que protege a vida selvagem) estava nesse país de África Austral para matar elefantes. Pelo menos matou um e até tirou foto tipo caçador colonial dos anos 30. Só faltou colocar o pé em cima do cadaver do indefeso animal. A foto é essa, reproduzo do "El Mundo".
Caçada sem incidentes foi a vitória do norte-americano Jim Yong Kim, especialista em saude globa, para presidir o Banco Mundial a partir de 1 de julho, quando seu compatriota Robert Zoelick termina o mandato de cinco anos. Assim mantêm-se os direitos de caça reservados em Breton Woods: Banco Mundial para os USA e FMI para a Europa.
E se Espanha soube das aventuras de seu rei como caçador de elefantes africanos, tambem viu caçadas suas ações na petrolifera argentina YPF, onde a madrilena Repsol detinha 51% do capital. Tia Cristina nacionalizou aquilo tudo. O assunto provocou reunião de emergencia do governo espanhol, no mesmo dia em que seus titulos soberanos só são vendidos com remunerações de 6,5%, colocando agora a Espanha como contribuinte numero um a mais crise na zona do Euro.
É assim desde nossos mais antigos ancestrais: um dia é da caça outro do caçador. Normal se alguem soltar a risada ao ver Dom Juan Carlos cambaleando após sair do hospital. Como sabem disso, é muito dificil que mostrem tal imagem. Pena...
Grande investimento foi pro lixo e a vergonha de ser o unico time brasileiro eliminado nesta fase da Libertadores. O Flamengo só jogou bem na ultima partida, hoje contra o Lanus e rezou para empate entre Olimpia-Emelec. Foi eliminado quando permitiu ao Olimpia calmamente empatar 3 a 3 um jogo que ganhavamos por 3 a 0. Depois permitiu ao Emelec tambem virar o placar. Parabens aos equatorianos que sabem jogar até aos 90 minutos mais acréscimos se necessário. E eu vou pensar em quem torcer daqui para a frente na Libertadores, esperando que esta saída precoce não abra uma tremenda crise. Chorar não resolve nem sequer alivia. Poisé tô muito chateado.
Um 54° país africano surgiu ontem, mas pode ser efémero. Azawad, situado no norte do Mali, proclamado pelo Movimento Nacional de Libertação de Azawad (MLNA) em rebelião contra o governo maliano desde janeiro. O golpe de estado militar de 22 de março ultimo, em Bamako, capital maliana, facilitou a ofensiva do MNLA e de alguns movimentos islamistas ou mesmo jihadistas, como Al Qaida do Magreb Islamico (Aqmi) sua dissidencia Mujoa, um possivel aliado Ansar Dine e bandos de traficantes. Ninguem reconhece esse novo estado e o mais provavel é uma grande ofensiva conjunta de exércitos oeste-africanos para repôr a unidade do Mali e evitar precedentes que podem afetar todo o Sahel.
Neste mapa podem ver-se a norte as cidades de Kidal, Tombuctu e Gao, centros principais da área Tuaregue em rebelião
Uma iniciativa regional já conseguiu que os golpistas de Bamako se retirem e se organize o regresso à ordem constitucional.
No norte onde foi proclamado o Azawad, a cidade principal em termos históricos é Tombuctu, que já fez parte de antigo estado Tuaregue no século XV. Atualmente não é seguro que o MNLA controle a cidade totalmente, já que os islamistas tambem têm lá uma forte presença. A população Tuaregue está espalhada pelo sul da Argelia e partes da Líbia, Mauritânia, Niger e Mali. A liderança desta comunidade no Niger condenou a proclamação de independencia no norte maliano, propondo uma solução sem divisão daquele país.
caravana Tuaregue no Sahara
Várias rebeliões Tuaregues tiveram lugar desde os anos 1960 no Mali e Niger, como reação ao que consideram como discriminação e ausência de desenvolvimento regional. Após a queda de Kadafi, Tuaregues malianos que estavam no exército líbio regressaram ao Mali e reforçaram a capacidade militar do MNLA.
bandeira do MNLA
Nas grandes chancelarias o medo reside na possibilidade dos islamistas aproveitarem para criar no norte do Mali um Afeganistão africano. O próprio MNLA tem procurado afastar-se dessas correntes.
Os Tuaregues são um povo composto por algumas comunidades com um total entre 2 e 3,5 milhões de pessoas. Nas suas origens é muito referenciada uma mulher guerreira, Tin Hinnan, que segundo a tradição oral, conduziu no seculo IV ou V um estado Tuaregue centrado nas montanhas do Hoggar (atual sul da Argelia).
Agradeço a apresentação do "Relato de Guerra Extrema" pela Professora Yeda Castro no começo do debate de quase duas horas, ontem na Casa de Angola, em Salvador. O debate em si ganhou um viés politico mais acentuado que eu gostaria. Mas cada um é livre de ver o livro e seu tema da forma que entender. No balanço geral achei muito bom. Foi ainda uma ocasião de ver antigos alunos/as, quer dizer, amigos/as e tambem gostei de ver a biblioteca da Casa.
Aqui estou de novo em Salvador. Hoje vou só relaxar, as ultimas semanas têm sido barra pesadissima. Amanhã às 17 horas outro debate sobre meu livro "Relato de Guerra Extrema" na Casa de Angola. Na quinta conversa sobre questões de docência com colegas. Entretanto, no blog vou deixando umas frases curtas.
Deixei esta postagem para a madrugada de hoje a fim de evitar o 1° de abril. Podiam pensar que eram mentiras de brincadeira.
Mas é verdade que o New York Times publicou um interessante bloco de opiniões sobre racismo no Brasil, onde aparecem defensores de diversas posições, sobretudo em relação às cotas no ensino. Tais posições vêm ligadas a crenças mais alargadas, duas das quais me parecem sem sentido: os freiristas (inspirados nas ideias de Gilberto Freyre com algumas atualizações) e os diferencialistas (mais preocupados em afirmar diferenças que em propôr igualdade de oportunidades). Fiquei contente de ver as posições equilibradas de meu amigo Jerry Dávila.
Ainda sobre direitos humanos, vitória eleitoral da senhora Aung Suu Ky, lider democratica de Myanmar/Birmania, após anos de prisão, confirma o avanço deste país asiático na transição. No Mali, a junta militar golpista parece recuar, isolada na opinião publica nacional, sob condenações internacionais e sofrendo fortes derrotas militares face à rebelião Tuaregue no norte maliano.