Não é a primeira vez que dou aula-maratona na UCAM. Das 09.30 ás 17 horas com uma hora de almoço. Turma latu sensu de vinte e poucos alunos/as, bastante interessados. O problema é que aula deste tamanho implica uma massa de informação excessiva no mesmo dia. Cansa muito alunos e professor.
Na hora do almoço encontei na Saraiva um livro que me vai ser muito util em proximas aulas e em pesquisa sobre economia internacional, edição recente da Boitempo: "Adam Smith em Pequim" de G.Arrigi.
Viajo na terça feira, via Africa do Sul e Namibia e vou tentar viajar apenas com mochila, sem bagagem de porão. Vou fazer o teste para ver se o que entra é suficiente.
Antes de concluir a croniquinha de hoje: Flamengo 3 Nautico 0. Tá em primeiro!
As grandes sessões literarias - ou eventos literarios em geral, incluindo os lançamentos - nunca me agradaram muito. Quase sempre há um exibicionismo e um clima de elogio exagerado no ar. Ano passado fui á Flip de Paraty e senti-me deslocado no meio daquele publico. Ontem no final da tarde fui á Academia Brasileira de Letras assistir á entrega dos prémios SESC de Literatura - conto e romance. A curiosidade vinha do romance premiado ser ambientado em Angola e do seu autor, Sergio Guimarães lá ter vivido dois periodos longos. Gostei do ambiente e gostei do discurso da Nelida Piñon, que eu nunca tinha visto pessoalmente. Comprei o romance vencedor, ganhei autografo e agora vou ler. Já notei que é um romance muito político, misturando ficção e jornalismo.
O ambiente geral na Academia estava todo para as comemorações de Machado de Assis. Aconselho a irem lá dar uma olhada na exposição.
Tem games que são arte de alta qualidade e tem arte erótica que reflete a realidade de cada época e de cada cultura. As reproduções acima são do recem saído Final Fantasy XIII, jogo inteligente com imagens e movimentos excelentes. As reproduções abaixo são do Museu do Erotismo de Paris, duas da exposição japonesa, que fez unanimidade da crítica pelo seu valor atual e uma de obra ocidental relativa ao periodo grego-romano.
Comprei o mais recente trabalho de JM Coetzee "Diario de um ano ruim", onde na mesma pagina este premio Nobel escreve ensaios e novela, aproximando assim ficção (ou imaginação) e realidade. Vou ler durante a proxima viagem. No momento estou no meio de "A inocencia dos pássaros" de Scott Simon, ambientado na guerra de Sarajevo. Como acabei de escrever um pequeno romance tambem em ambiente de guerra e com personagens que, igual o livro de Simon, resolveram revidar, encontrei porção de situações idênticas. Inicialmente pensei deixar assim mesmo, para se ver até que ponto essas situações se repetem. Mas depois achei preferivel modificar algumas passagens Até aqui, dei-lhe o título de "A Resposta - sem peso na consciência".
Por duas vezes quis comprar o famoso romance "A Mulher do tenente francês", que até já deu um excelente filme, mas deixo sempre para depois. Agora vi no Bol esta noticia:
Cartas revelam caso de escritor John Fowles com estudante
Londres, 29 jun (EFE) - Um conjunto de cartas que serão leiloados em breve em Londres revela como o autor de "A Mulher do Tenente Francês", John Fowles, viveu com uma jovem estudante uma história de amor que parece retirada de seu famoso livro.
Mais de 20 anos depois da publicação do romance, o escritor britânico, que já tinha completado 64 anos, teve um affair com Elena van Lieshout, uma estudante de Oxford de 21 anos.
O autor, que tinha sofrido um derrame e não podia consumar sexualmente a relação, enviou a "Leni", como a chamava carinhosamente, nada menos que 120 cartas, alguns poemas de amor até agora inéditos e vários postais.
Segundo o dominical "The Sunday Times", as cartas chegaram anonimamente à casa de leilões Sotheby's, onde sai à venda com lance mínimo de 37.800 euros em julho.
Elena tinha 21 anos quando Fowles a convidou a ir para sua casa de Lyme Regis, em Dorset (sul da Inglaterra).
A esposa do escritor, Elizabeth, tinha morrido de câncer meses antes e Fowles estava se tornando um ermitão.
A jovem estudante visitava a região desde sua adolescência, fazendo longos passeios, assim como faz, em meio ao falatório dos vizinhos, a heroína do romance.
Um dia ela foi à casa do escritor para depositar, pela abertura para cartas da porta, uma nota na qual expressava condolências pela morte da esposa de Fowles.
Ele então convidou-a a tomar chá e, apesar dos 43 anos de diferença, nasceu entre ambos uma forte amizade, até o ponto de que Elena foi morar na casa do escritor poucos meses depois.
Um mês depois de se conhecerem, o casal esteve no local no qual o autor situa em seu livro a heroína Sarah Woodruff, contando a seu admirador Charles Smithson seu tumultuado caso com o tenente francês.
Elena, que tinha pouca experiência de mundo, pareceu encarnar de repente, aos olhos do escritor, a personagem que ele mesmo tinha criado: uma mulher com uma profunda vida interior e consumida pela paixão.
Inicialmente, o autor apresentou a relação aos pais da moça como uma simples amizade e criticou os falatórios dos vizinhos, mas, passado algum tempo, confessou que desejava se casar com a jovem.
Nas cartas à amada, o escritor expressa seus sentimentos mais profundos, sem esconder o medo que causa nele o fato de não poder consumar fisicamente sua relação com ela.
Em uma das cartas cita algo que ele mesmo tinha escrito antes em seu diário: "Parece às vezes algo bárbaro: ter perdido toda minha potência sexual, mas não meus sentimentos sexuais, o fato de desejar Elena e que ela não poder, no entanto, me desejar".
Ronnie Payne, que foi amiga do escritor, descreveu Elena van Lieshout como uma moça que "caiu sob o feitiço do grande romancista".
Apesar de a relação ter esfriado, ambos mantiveram contato até 1998, quando Fowles se casou com Sarah Smith, executiva de uma empresa de publicidade que tinha sido amiga de sua esposa.
John Fowles entre as capas do livro em português e primeira edição inglesa