Minha ida e volta meteorica a Salvador decorreu bem do ponto de vista formal universitário, mas mais uma vez deixou-me perplexo perante certos niveis de negligencia e com algumas duvidas sobre o trabalho em si. Por hoje não vou explicar mais, foi só um desabafo, apenas escrevi para mim próprio. Talvez volte a esses assuntos de forma mais entendível, se surgirem novos elementos.

Aliás, há dois ou três dias somam-se á minha volta fatores prejudiciais, decorrencia  de inevitavelmente dependermos de outros no desenrolar de nossas vidas, sendo que grande parte desses outros não têm respeito nenhum pelas outras vidas. É isso que torna a vida um  alerta constante, como se fosse guerra. Como se fosse? Lembro uma frase de James Baldwin que meti no "Café Gelado": "tudo se passa como se tivesse nascido com uma granada na  mão, arriscando-me a explodir se não aprendesse a manejá-la".

No avião continuei a leitura de "Chuva sobre Havana" de Julio Travieso Serrano. Que guerra diária, roedora, erosiva. Tenho certeza que este é um dos livros que vou ler até ao fim. 

De regresso passei na Leonardo da Vinci , onde tinha deixado uma encomenda de dois livros e um deles - "Racial Culture" de Richard T. Ford - chegou. Agora dei um giro por alguns blogs e parei no do escritor congolês baseado em Los Angeles, Alain Mabanckou (infelizmente ainda não traduzido em português) e deixei mais um pequeno comentário no debate que  ele lançou sobre se existe ou não "pensamento negro".

Na semana passada  tinha metido lá uma postagem  para afirmar aquela banalidade: não há nem pensamento negro  nem branco. O pensamento não tem cor, nem o dos racistas. Mas  há quem defenda o contrário, em nome de supremacias, autenticidades, especificidades, purezas e outras merdas do mesmo quilate.  Tive o prazer de ler uma postagem de D.O.W. apoiando minha afirmação e acrescentando argumentos dele próprio no mesmo sentido.

Nesse tema continuamos como sempre, sem fazer concessões e continuamos a acreditar no Obama que,  chateado com o rigor da Casa Branca foi hoje ao "Five Guys" comer hamburger com fritas. Pode ter sido sugestão da esposa, que tinha lá estado semanas  atrás.

 



Escrito por Jonuel Gonçalves às 21h44
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SALIM MIGUEL

Meu amigo Salim - que vai receber em 23/07 o prémio Machado de Assis da ABL - mandou-me de Floripa o seu "Minhas Memórias de Escritores", editado pela Unisul em Tubarão. É um conjunto de artigos, entrevistas, anotações e cronicas que, tudo somado, dá um excelente trabalho de  história literaria brasileira e pontos de vistas brasileiros sobre escritores de outros cantos do mundo. Bem no perfil de Salim.

Ainda não li tudo mas o que já li estimula a que leia mais. Excelentes as "anotações" ( a expressão é dele na dedicatória do exemplar que me eviou) sobre Maura, Zé Lins, Carpeaux, Drummond, Agostinho da Silva e vou prosseguir a leitura de outros. "Anotações" que várias vezes significam encontros e mencionam os 100 livros que mais marcaram vários dos entrevistados.

A edição tambem está bonita. Gostei do formato e da configuração do miolo. Ultimamente tenho prestado muita atenção à estética dos livros.  



Escrito por Jonuel Gonçalves às 11h59
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