Prossegue a guerra pela liberdade na Internet
Um artigo do interessante site Slate (www.slate.com) assinala aspectos importantes da liberdade na Internet a propósito dos protestos consecutivos às eleições iranianas e o relativo silêncio que se verifica agora. Até há pouco sublinhou-se em diversos orgãos de midia que os blogs iranianos e espaços no Twitter ajudaram a divulgação mundial dos acontecimentos e mobilizaram muita gente para manifestações de rua. Neste blog tambem escrevemos a propósito disso, mas é importante ter em conta tambem o fator repressão, usado como sustentáculo pelos regimes autoritários ou totalitários, de todos os continentes. Citando o "Wall Street Journal", o artigo referido afirma que o regime iraniano dispõe de um ultra-sofisticado sistema de vigilência sobre a Internet, podendo localizar a origem de emails, blogs, imagens, etc. Parte desse sistema foi montado pela Nokia e Siemens, diz o jornal e, alem de localizar as origens (quer dizer, os IP's dos computadores) pode apagar mensagens, retirar imagens, inutilizar sites e fazer guerra psicologica com material falso. Como na luta entre virus e anti-virus, ativistas ("hacktivistas" como já são conhecidos) de todo o mundo estão empenhados em encontrar meios de despistar os repressores. Duas prioridades nesta busca: impedi-los de localisar os IP que identificam os computadores e montar dispositivos que impeçam a intrusão. Um software criado por engenheiros chineses defensores da liberdade de expressão ( as autoridades chinesas têm equipamento de vigilancia idêntico ao de suas congéneres iranianas), denominado Freegate (Porta Livre), permite alterar o IP quase cada segundo, tornando impossivel a perseguição. Tambem elimina todo traço de emails mandados de um computador. Uma variante do Freegate é o Ultrasurfer e estão ambos disponiveis no Project Tor da Universidade de Toronto, outro importante centro de pesquisa pela liberdade na rede. O governo chinês anunciou que os computadores em venda a partir do proximo mês terão obrigatoriamente um filtro para softwares de Internet, designado como Barragem Verde. Para neutralizá-lo o pessoal do Freegate já criou o Tsunami Verde. 
Escrito por Jonuel Gonçalves às 23h46
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'Política pirata' de 21 anos defende liberdade de downloads
Por Rodrigo Martins São Paulo, (AE) - Ela tem apenas 21 anos e está com um pé no Parlamento Europeu, o que a fará contrastar com os políticos mais velhos que costumam se eleger para a casa. Além de ser a mais nova da turma, irá mais ainda na contramão: ao contrário da atual política de se defender os direitos autorais, até com leis restritivas, pregará que é necessário liberar o download e que a bilionária indústria de entretenimento deve se virar para achar uma forma de continuar a lucrar. Amelia Andersdotter fez parte de um fato inédito na Suécia (e no mundo). Pela primeira vez, há duas semanas, após quase se eleger para o congresso do país, o Partido Pirata - do qual é integrante - ganhará espaço no Parlamento Europeu, um congresso para legislar sobre assuntos comuns da Europa. Com 7,1% dos votos suecos, o partido, que defende o download livre, já tem garantida uma vaga. Mas pode levar outra se uma lei que amplia o número de parlamentares for ratificada. Até agora, 26 dos 27 países do bloco já a aprovaram. Só falta a Irlanda, que deve votar o tema em outubro. É aí que entra Amelia. 
Ela, a segunda mais votada entre os candidatos do Partido Pirata, só depende disso para entrar no Parlamento. "Estou confiante de que, em seis meses, estarei no Parlamento", disse. Amelia sabe que sua voz será dissonante. "Sei que será difícil. Mas é preciso uma nova geração. Hoje, o Parlamento é um local onde, basicamente, os políticos vão quando se aposentam. É necessário uma voz radical contra toda essa política de restrições de hoje, como cortar a rede de quem baixa." Para entender como uma garota de 21 anos chegou a tal posição, voltemos a 2006. Amelia, uma universitária de economia, simpatizou-se com a causa política e entrou para o Partido Pirata, que, naquele ano, quase elegia um representante no congresso sueco. Em 2007, começa a trabalhar com questões internacionais. Daí começa a se destacar. Em 2008, com 20 anos, torna-se a coordenadora internacional do partido, responsável por contatos com sementes de partidos piratas ao redor do mundo. Para essa tarefa, ela até aprendeu a falar espanhol. Com o destaque, foi indicada para a eleição ao Parlamento Europeu. Era a segunda candidata mais nova na Europa toda. Acredite, a outra, que também concorria pelo Partido Pirata, tinha 18 anos. A campanha de Amelia baseou-se, como esperado, na web. Ela criou site e blog (www.ameliatillbryssel.se) e publicou vídeos no YouTube. Também escreveu artigos para jornais e participou de debates na TV. A plataforma de Amelia ganhou apelo. Num momento em que o número de defensores do download livre aumenta na mesma proporção em que surgem leis restritivas, os eleitores, principalmente os mais novos, abraçaram as ideias dela e do partido. "Não somos contra todo o tipo de direito autoral, mas queremos um direito mais equilibrado", afirma. Segundo Amelia, ela e o Partido Pirata propõem "mudanças radicais". "Todos os usos não-comerciais de músicas e filmes seriam liberados. Se você baixar algo para si próprio e não for revender, tudo bem", diz. "Também defendemos que toda a obra possua direito de proteção por apenas cinco anos. Depois, cairia em domínio público." Hoje, dependendo do país, para uma obra estar em domínio público, é preciso até passar 50 anos da morte do autor. Mas já há países tentando estender o prazo. E a indústria como iria lucrar? Com a pergunta, Amelia muda o tom de voz e se mostra irritada. "A pergunta é injusta, sou só uma estudante de 21 anos. As majors, que ganham bilhões, é que deveriam pensar nisso", diz. "Mas se querem sugestões, podem lucrar com shows, merchandising, licenciamento de músicas..." É esse o barulho que Amelia quer fazer no Parlamento. Aliás, ela já promete entrar em outras áreas também. "Vou defender também a popularização das telecomunicações. Há várias questões. Quero abrir uma janela no Parlamento para que mais pessoas como eu possam entrar lá."
Escrito por Jonuel Gonçalves às 12h12
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