
A escritora francesa Marie Ndiaye ganhou o maior prêmio literario do seu país - o Goncourt - pelo romance "Trois femmes puissantes" (ainda não traduzido em português, mas não vai tardar), historias interligadas de três mulheres que circulam entre África e Europa. Marie Ndiaye, é filha de mãe francesa e pai senegalês ( que como o pai de Obama separou-se da esposa e voltou para o seu país), nasceu em 1967 em Pithiviers (França). Publicou o primeiro romance com 18 anos, quando era aluna de um liceu parisiense. A revista "Les Inrockuptibles" afirma várias vezes que ela é "o mais precioso dos escritores franceses". Gosto desta revista (alguns de nossos mandarins acadêmicos vão dizer de novo que cito uma revista de vagabundos ) e achei um maravilha a entrevista que fizeram com Marie em 9 de agosto deste ano, onde ela demonstra não estar algemada à fabula das "origens" e diz coisas que desagradam aos que olham as pessoas em função dos antepassados. Nascida e criada em territorio francês, mal conhecendo África, considera-se francesa, mesmo que alguns franceses a olhem como estrangeira. É casada com o tambem escritor Jean-Yves Cendray e irmã do historiador Pap Diop. O significado do Goncourt deste ano é duplo, porque deve começar em breve um grande debate sobre identidade nacional francesa, patrocinado pelo ministério denominado das migrações e da identidade nacional. A esquerda vê nesse debate uma jogada eleitoral de Sarkozy com possibilidade de propostas excludentes e racistas, baseadas nas velhas conversas de "nossos antepassados, os gauleses" ou Asterix como pai fundador.
Escrito por Jonuel Gonçalves às 14h25
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