só falta a burka e as fogueiras
Aquela historia da aluna da Uniban que, por usar roupa estreita e curta, foi hostilizada por colegas partidários da caça ás bruxas e expulsa da universidade por um conselho universitário tipo inquisição (que depois teve de voltar atrás, mas não fez o que devia, ou seja, demitir-se), é matéria para se constatar até que ponto vai o força dos tabús mesmo numa sociedade, como a brasileira, considerada de costumes avançados. Bem, no final das contas, a aluna saiu vitoriosa em diversos planos: recebeu solidariedade da maior parte da midia, da UNE, foi reintegrada nas aulas e até virou atriz num grande programa humorístico. E para quem condenou o vestido curto dela, não se admire se ela aparecer na Playboy sem roupa nenhuma. Situação ainda pior em universidades da China, onde surgiram patrulhas de voluntários para reprimir quem se beije ou abrace com amor (ou algo parecido). Com foco nos tabús sexuais, está em cartaz no Rio e vai correr algumas outras cidades, a peça "Usufruto" com Lucia Verissimo e Raphael Viana. Não vi, mas deixo fotos do Globo online, porque vem a propósito. Espero que não provoque reações semelhantes às dos inquisidores da Uniban. 
Escrito por Jonuel Gonçalves às 10h55
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Assim se faz a economia mundial
1. Mais uma reunião da FAO em Roma, com o objetivo de cortar pela metade a fome mundial até 2015 e acabar com ela até 2025. Claro que ninguem acredita em tais metas, principalmente quando se olham as estatísticas sobre alimentação. Nos ultimos dois anos o número de sub-alimentados aumentou, principalmente (como sempre) no continente africano. A FAO pede 44 mil milhões de US$ para chegar áqueles objetivos. A maior parte desse dinheiro só pode vir dos paises mais desenvolvidos, que se comprometeram na reunião do G8 este ano, em Laquila, em investir 20 MM de US$ nos proximos três anos nas agriculturas mais pobres. E dizem que não há mais dinheiro. Para salvar os bancos responsaveis pela crise financeira, há dinheiro de sobra; não os 44 bi pedidos pela FAO, mas os 2 ou 3 tri de estimulos á alta finança (vamos ver a soma final talvez no proximo ano). Questão de prioridades: matar a fome de um bi de pessoas ou pagar os prejuízos causados por executivos irresponsáveis. Se a esmagadora maioria de África e partes da América Latina e Ásia, esperam acabar com a miséria generalizada com base em apoio externo, podem esperar dois séculos. Já foi dito e redito que o esforço tem de se concentrar nas capacidades internas de produção e distribuição. O problema é que muitos dos líderes desses países são autistas...não se comunicam com os outros. 2. Um acontecimento na Australia revela que praticas semelhantes à escravatura ainda se praticavam na década de 60 do século XX e os quase escravos eram exportados pela Europa. O primeiro-ministro australiano pediu publicamnte desculpa a ex imigrantes que chegaram á Australia na infancia (ás vezes com 3 anos apenas) enviados pelo Reino Unido. Filhos de mães solteiras ou de famílias muito pobres, entre 1930 e 1970, despachados para longe e assim aliviarem as despesas britânicas com assistência social, somaram cerca de 150 mil, sobretudo na Australia e Canadá. Testemunhos de pessoas que têm hoje entre 65 e 72 anos revelam o tratamento brutal, as ferozes imposições de trabalho para crianças e frequentes violações sexuais. Escandalo revelado por inquérito do parlamento australiano. 3. No "New York Times" um excelente artigo de Paul Krugman sobre os riscos mundiais decorrentes da baixa cotação do yuan (moeda da China) mantida pelas autoridades chinesas, para garantir preços baixos ás suas exportações. Desta forma, cada vez mais a China conquista uma enorme fatia do ameaçado comércio mundial, em detrimento de vários países de todos os estágios de desenvolvimento. Com esta ficção cambial a China pode matar a galinha dos ovos de ouro, aumentando os danos em economias que não podem ser só compradoras. Nessas economias, um dos efeitos será a subida do desemprego e, muito provavelmente, medidas protecionistas...contra produtos made in China. Quando Krugman conclui que a China joga um jogo perigoso, quer sem dúvida dizer isso e que os Estados Unidos, hoje com mais de 10% de desempregados, podem estar nos limites da aceitação dessa política cambial de Pequim. Obama, muito criticado em virtude da situação da economia, vistou a China esta semana e deve ter falado do assunto...
Escrito por Jonuel Gonçalves às 18h06
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+ Vulnerabilidades
Se foi São Pedro que mandou uns raios para testar as fragilidades do sistema elétrico brasileiro, agora, para que ninguem tire vantagens políticas, o Diabo derrubou duas vigas de sustentação de trecho do Rodoanel na Grande São Paulo. Assim , Lula e Serra ficam igualmente com problemas e ambos aceitam que "há falhas". Vantagens eleitorais equilibradas neste ponto. É Deus e Diabo na Terra do Sol, como diria Glauber Rocha.
Escrito por Jonuel Gonçalves às 11h05
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Vulnerabilidades
A população mais pobre é classificada de vulnerável. A quebra do sigilo das provas do Enem revela vulnerabilidade gráfica. Até a defesa do Palmeiras está mais vulnerável nesta fase do campeonato. Agora o apagão da noite de terça para quarta em varios Estados do Brasil demonstra vulnerabilidade do sistema elétrico. Acrescento outra vulnerabilidade: a das explicações. Falando só do apagão, a culpa foi direta e rapidamente só para os raios na região de Itaberá. Nem se sabia ao certo que volume de energia tinha caido (de 17 mil MW a 28 mil, li varios dados), nem exatamente onde tinha ocorrido (se é que foi num ponto apenas) e já xingavam os raios. Bem, não era bom sinal, porque raios mais violentos atingem até outros países da America do Sul ou zonas do Brasil como a Amazônia e não apaga a luz... O dr. Osmar Pinto Junior do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, diz que era preciso que o raio fosse de 70 mil amperes e batesse em cheio na linha de transmissão para ter o efeito apontado nas explicações (vulneráveis). Não bateu lá nenhum, em geral os raios produzem 30 mil amperes e até ao momento calculam-se os raios naquele dia e local em torno dos 15 mil. Quem sabe acabamos com explicações vulneráveis como primeiro passo para acabar com outras vulnerabilidades...
Escrito por Jonuel Gonçalves às 12h30
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Nosso amigo e colega Carlos Serrano recebe na proxima terça feira em Luanda o premio nacional de Cultura e Artes para a disciplina de Ciências Humanas e Sociais, em virtude de seu livro "Angola: nascimento de uma nação", onde aborda a questão da identidade nacional angolana. A foto foi tirada na Universidade de São Paulo (USP) onde leciona Antropologia.
Escrito por Jonuel Gonçalves às 23h27
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A escritora francesa Marie Ndiaye ganhou o maior prêmio literario do seu país - o Goncourt - pelo romance "Trois femmes puissantes" (ainda não traduzido em português, mas não vai tardar), historias interligadas de três mulheres que circulam entre África e Europa. Marie Ndiaye, é filha de mãe francesa e pai senegalês ( que como o pai de Obama separou-se da esposa e voltou para o seu país), nasceu em 1967 em Pithiviers (França). Publicou o primeiro romance com 18 anos, quando era aluna de um liceu parisiense. A revista "Les Inrockuptibles" afirma várias vezes que ela é "o mais precioso dos escritores franceses". Gosto desta revista (alguns de nossos mandarins acadêmicos vão dizer de novo que cito uma revista de vagabundos ) e achei um maravilha a entrevista que fizeram com Marie em 9 de agosto deste ano, onde ela demonstra não estar algemada à fabula das "origens" e diz coisas que desagradam aos que olham as pessoas em função dos antepassados. Nascida e criada em territorio francês, mal conhecendo África, considera-se francesa, mesmo que alguns franceses a olhem como estrangeira. É casada com o tambem escritor Jean-Yves Cendray e irmã do historiador Pap Diop. O significado do Goncourt deste ano é duplo, porque deve começar em breve um grande debate sobre identidade nacional francesa, patrocinado pelo ministério denominado das migrações e da identidade nacional. A esquerda vê nesse debate uma jogada eleitoral de Sarkozy com possibilidade de propostas excludentes e racistas, baseadas nas velhas conversas de "nossos antepassados, os gauleses" ou Asterix como pai fundador.
Escrito por Jonuel Gonçalves às 14h25
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O meu "velho" texto sobre violências nacionais que impactam nas internacionais, ressuscitou porque uma editora pediu para ver. Mas modifiquei todos os capítulos e cortei bastante o primeiro estudo de caso, porque a integralidade foi publicada no ultimo "África " da USP. E ainda não acabei, talvez acabe amanhã e mande na quarta para a editora. Logo mais, pelas doze horas, no meu espaço da TV Futura, vou de novo falar de Honduras. E para relaxar vou lendo um romance do Carlos Fuentes, misturado com o do Cormac que retomo e paro faz tempo e com o "Viva Santiago" do indiano Collin Fernandes, em grande parte ambientado em Goa. Enquanto escrevo esta postagem tenho a televisão ligada no Multishow, que passa clips de música com videos eroticos. Ou é o contrario? Videos eróticos com algumas músicas de DJ? Só que estou com sono e ainda quero ler umas paginas de algum daqueles books.
Escrito por Jonuel Gonçalves às 00h17
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TRIBUNAIS

Parece que Polanski, preso na Suiça, trabalha novo roteiro de filme e tambem parece disposto a aceitar a extradição para os USA, onde pode ser condenado a dois anos de prisão por relações sexuais ilegais, ocorridas em 1977. A vitima, que tinha na altura 13 anos e tem agora 45, Samantha Geimer, pediu ao tribunal em Los Angels que abandone a acusação contra Polanski. Ela vive no Havai com o marido e os filhos e tem sido ultimamente hiper assediada pela midia, causando-lhe fortes transtornos de saude. Até os "muito sérios" entrevistadores Larry King e Oprah Winfrey participam do assédio. A foto é dela ano passado na apresentação de um documentário em Nova York. Em Paris, um tribunal condenou as duas principais figuras do Angolagate (venda a Angola entre 1993 e 1998 de armas do bloco de leste por cidadãos franceses). Seis anos de prisão cada. Outros foram condenados com liberdade condicional e multas entre 100 mil e 375 mil euros. Entre eles um filho do ex Presidente Mitterrand e um ex ministro do Interior. O tribunal avaliou em 793 milhões de USD o montante daquelas vendas. O Tribunal Internacional que julga o ex lider servio da Bosnia, Radovan Karadzic, acusado de organizar o assassinato de 300 mil muçulmanos bosnios, concedeu-lhe mais prazo para assegurar a defesa. Este julgamento é seguido com muito interesse pelos movimentos de Direitos Humanos que esperam uma sentença que seja marco na luta contra o genocidio.
Escrito por Jonuel Gonçalves às 15h39
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Novidades (varias) sobre livros

Leitor de ebooks da Amazon Neste momento misturo leituras sobre Historia e Economia internacional para citar num texto, com um romance de Kundera (em versão espanhola), acho que é o primeiro romance que ele escreveu, ainda com Praga sob a ditadura pró sovietica daqueles anos que pareciam sem fim e de repente buummm caiu tudo. Mas a maior parte de meus tempos de leitura eu passo no computador. Ou lendo textos que baixei, que recebi ou que abro diretamente na Net. Há pouco abri no blog da NY Review of Books uma postagem sobre um preso político iraniano, depois de ter passado em sites de futebol e jornais de atualidade de varios países. Já nem lembro quando comprei um jornal em papel pela ultima vez. Antes de meter aqui esta postagem, passei em sites de tecnologia para ver informações sobre um equipamento que me interessa cada vez mais. É o ebook reader ou leitor de livros eletronicos. Podem armazenar milhares de títulos e, a medio prazo, vão ser verdadeiras bibliotecas portateis. O problema no curto prazo é que só têm textos que cairam no dominio publico, ou seja, nada de novas edições. Mas revistas e jornais têm com fartura. Semana passada foi anunciada a comercialização em cem países (incluindo o Brasil) do Kindle, da Amazon, com wireless e capacidade para 1.500 livros. Preço previsto com base no mercado norte-americano: $279. A Amazon coloca para venda em ebooks mais de cem mil títulos com preços unitarios entre 6 e 12 $US. Em dezembro a Sony vai iniciar a comercialização de um leitor eletronico com wireless e tamanho adaptado a jornais. Custará nos USA $399. Quando houver acordo sobre edições recentes vai ser uma maravilha, que se pode levar para qualquer lado, mudar facilmente de texto, alem de que reduzirá o espaço ocupado por estantes e diminui o abate de árvores.  O Daily Edition da Sony Frei Betto publicou mais uma de suas obras literarias, desta vez o livro de contos "Aquario negro", que me enviou e foi entregue em minha casa esta manhã pelo mensageiro da editora (Agir). Ambientado numa cidade imaginária tipicamente mineira, diz a contracapa. Obrigado Betto.
Escrito por Jonuel Gonçalves às 22h01
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Esta é a prova da capa e contracapa de "Atlântico Sul XXI - África Austral e América do Sul na virada do milênio", que organizei junto com nove colegas. Aborda os contextos da África do Sul, Angola, Argentina e Brasil, entre o fim dos anos 1990 e 2004. Deve estar pronto no meio do proximo mês. Edição conjunta UNESP/UNEB.
Escrito por Jonuel Gonçalves às 20h29
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No Yemen (ou Iemen?)

Na escola religiosa Dar el Mustafa em Tarim (nos confins do leste iemenita), que recebe estudantes muçulmanos de todo o mundo, da Indonésia à California, como diz a edição global online de hoje do "New York Times", que publica esta e outras fotos e uma extensa reportagem no local.
Escrito por Jonuel Gonçalves às 12h36
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França, Tarantino e Renoir
O mais recente filme de Quentin Tarantino, "Bastardos Inglorios", decorre em territorio francês durante a ocupação alemã, em torno de uma mulher que assiste ao massacre de sua família e de um comando de "bastardos" que se organiza para atacar com a maior crueldade possivel uma reunião de ocupantes. Ainda não vi mas sendo de Tarantino e com um enredo desses vou ver de certeza. Tarantino deu uma longa entrevista aos "Cahiers du Cinema" que está na edição online da revista www.cahiersducinema.com. 
Em Paris, hoje ou ontem (não sei bem) abriu no Grand Palais (passei varias vezes em frente mas nunca entrei) uma exposição dos grandes quadros de Renoir, entre os quais essa maravilha que é o "Les baigneuses" de 1918. 
Escrito por Jonuel Gonçalves às 23h53
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Africa-USP
Saiu finalmente o numero triplo (24/25/26) da revista "África" do Centro de Estudos Africanos da Universidade de São Paulo. Assinalo não apenas porque tem um artigo multidisciplinar meu ("Entre Nilo e Tigre") mas tambem um bloco de interessantes textos de pesquisadores brasileiros e africanos, num total de 450 paginas. Em breve estará tambem disponivel no site daquele Centro. O Brasil possui três revistas academicas dedicadas a África. Alem desta da USP, as da Candido Mendes (Rio) e da Federal da Bahia (Salvador)
Escrito por Jonuel Gonçalves às 21h49
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Prémio "Nobel" de Ciências Economicas continua nos USA
Na verdade o prémio não é Nobel nem é atribuido pela Real Academia Sueca. Mas é na Suécia e coincide com os Nobel. O patrocinador é o Banco Central da Suecia. E tem o mesmo prestigio dos outros. Ano passado foi o Paul Krugman, este ano é o muito conhecido (entre economistas) Oliver Williamson e a menos conehcida (até porque vem dos estudos políticos) Elinor Ostrom. Ele da U da California (Berkley) e ela (pela primeira vez uma mulher neste prémio) da U de Indiana (Bloomington). O impacto dele vem dos estudos sobre custos de transação e dela sobre a ligação entre bens publicos (sobretudo ambientais) e gestão em associação. A obra de Williamson é vista como parte essencial da escola neo institucionalista. A de Elinor tem o ponto de partida no workshop (que criou junto com o marido) Teoria Política e Políticas Públicas. Ambos incidem bastante nos temas da governação economica, particularmente em foco neste momento de crise financeira mundial. Sobre esse tema, esta foi a primeira declaração do Professor Williamson após a atribuição do prémio: "não há via segura para lidar com a questão das instituições cuja falha ameaça todo o sistema financeiro".
Escrito por Jonuel Gonçalves às 12h15
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Algumas sobre Angola-Brasil

foto da edição online do "Jornal de Angola" de hoje Quinze mil pessoas viram ontem no estádio dos Coqueiros, em Luanda, Xuxa e (pela segunda vez) Luciano Huck. Alem disso, Xuxa apresentou na Luanda Fashion Week uma coleção de roupa infanto-juvenil. No dia 14 do corrente, no Museu de História Natural, a embaixada brasileira na capital angolana apresenta a exposição fotografica e cartografica "Brasil Africano", de autoria do professor Rafel Sanzio, do Departamento de Geografia da Universidade Nacional de Brasilia. Com patrocinio do Ministério da Cultura de Angola, da UNB e da Petrobrás.
Escrito por Jonuel Gonçalves às 11h58
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